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O Instituto Stiefel tem o prazer de oferecer aos seus leitores, uma entrevista exclusiva com o ilustre dermatologista Prof. Dr. Rubem David Azulay.

O Instituto Stiefel tem o prazer de oferecer aos seus leitores, uma entrevista exclusiva com o ilustre dermatologista Prof. Dr. Rubem David Azulay.
O professor, que dispensa apresentações, tem seu talento reconhecido no Brasil e no mundo e há décadas inspira o trabalho de jovens dermatologistas.
Dermatologista, Chefe Honorário do Instituto de Dermatologia da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Professor Emérito da UFRJ e UFF, Professor Titular da Universidade Gama Filho e da Escola de Medicina Souza Marques da FTESM, Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, Honorário da American Association of Dermatology, da Deutsche Dermatoligische Gesellschaft, da Société Française de Dermatologie et de Syphiligraphie e da British Society of Dermatology, Prof. Azulay saiu de Belém para conquistar o mundo.
Nos seus sessenta anos de magistério graduou cerca de 10 mil médicos e pós-graduou 600 dermatologistas, sendo que 18 tornaram-se professores titulares de universidades do País. Ele ainda vibra ao lecionar.
Pesquisador nato, deu grandes contribuições para a medicina com seus estudos sobre as doenças tropicais, como a hanseníase, leishmaniose e micoses. Autor de mais de 700 trabalhos, um Compêndio de Dermatologia – na terceira edição - e seis teses, o Prof. Dr. Azulay lançou sua biografia, Traços de minha vida, pela Razão Cultural Editora e Contribuições dos Judeus na Medicina, pela Editora Garamond.*

Instituto Stiefel: Como era o Rubem David Azulay quando jovem? Imaginava ter o prestígio e reconhecimento que alcançou?**
Prof. Azulay: Era um rapaz muito novo, simples e humilde, porém sempre dedicado aos estudos e com muita disposição pra vencer na vida. Realmente não imaginava chegar onde cheguei.

Instituto Stiefel: Se em sua época de estudante de medicina, a Universidade Federal Fluminense, onde se formou, possuísse o aparato tecnológico de hoje e o fácil acesso a informações como atualmente, o que o senhor acha que poderia ter feito de diferente?
Prof. Azulay: Poderia ter produzido mais do que foi feito.

Instituto Stiefel: Retornando à sua trajetória na área, o que o motivou a escolher a especialização em dermatologia?
Prof. Azulay: Havia acabado de chegar de Belém do Pará, cheio de vontade para trabalhar. No primeiro dia de aula, estava passando no corredor da Policlínica de Niterói, quando a secretária do Prof. Parreiras Horta perguntou quem gostaria de trabalhar, então fui logo me candidatando, depois fui ver que era no ambulatório de Dermatologia, foi ao acaso.

Instituto Stiefel: Como o senhor vê a evolução da dermatologia no Brasil nos últimos anos, e a que se atribuem essas mudanças?
Prof. Azulay: Eu vejo a dermatologia brasileira em constante crescimento, acompanhando a dermatologia mundial. A dermatologia brasileira ainda se sobressai devido aos grandes pesquisadores que temos, principalmente nas áreas de dermatologia tropical e sanitária.

Instituto Stiefel: Que contribuições o Brasil deu para a dermatologia em todo o mundo? E qual a importância do país nesta especialidade?
Prof. Azulay: A dermatologia brasileira contribuiu de maneira extraordinária nos estudos de novas entidades desconhecidas até aquele momento. Pelo fato de o Brasil ter uma grande dimensão continental e miscigenação racial, isso contribui muito para que tenha um amplo espectro de doenças.

Instituto Stiefel: Que mensagem gostaria de dar aos jovens estudantes de medicina que pretendem se especializar em dermatologia?
Prof. Azulay: Devem pesquisar muito para o aumento do progresso dermatológico e que façam a dermatologia com muito amor e dedicação.

Instituto Stiefel: Notavelmente, hoje, há muito mais mulheres dermatologistas do que há 20 ou 30 anos, quais os fatores que motivaram este crescimento?
Prof. Azulay: Não vejo o aumento do número de mulheres só na dermatologia e sim na medicina de uma maneira geral, porém um dos fatores que atraiu um maior número de mulheres para a dermatologia foi sem dúvida a evolução da cosmiatria.

Instituto Stiefel: O senhor lançou livros, realizou pesquisas, fez estudos, há alguma coisa que não tenha feito e gostaria de fazer ou refazer?
Prof. Azulay: Não, conquistei todos objetivos almejados na minha vida, com muita luta e dedicação. Realizei pesquisas originais, reconhecidas mundialmente, inclusive pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Instituto Stiefel: A CPMF, criada em 1993 tinha o objetivo de arrecadar e contribuir com o Fundo Nacional de Saúde. Extinto recentemente, o imposto que chegou a arrecadar 35 bilhões de reais somente em 2007 dividia com outras frentes emergenciais o montante arrecadado. O que poderia ser feito de efetivo para a melhoria da saúde, especialmente falando da área dermatológica, e que não foi feito até hoje?
Prof. Azulay: A doação de mais dinheiro principalmente para pesquisas poderia melhorar os conhecimentos na dermatologia atual e futura.

Instituto Stiefel: Como o senhor imagina a dermatologia brasileira e mundial em uma ou duas décadas? O que eles pesquisarão e desenvolverão?
Prof. Azulay: Não sei, espero estar vivo pra ver (risos). Imagino que com tanto avanço tecnológico, a dermatologia alcançará novos progressos, porém espero que a essência da dermatologia não se perca, não gostaria de ver uma máquina substituindo o trabalho de um médico.

Instituto Stiefel: Membro de diversas associações internacionais e nacionais de suma importância, membro emérito da universidade carioca, entre outros títulos e reconhecimentos por seus estudos, qual o reconhecimento que ainda gostaria de pleitear?
Prof. Azulay: Estou muito honrado e feliz com o que já obtive. O reconhecimento maior pra mim é o dos meus alunos e pacientes.

Instituto Stiefel: Como é a rotina do senhor? Qual é a sua atuação na Santa Casa do RJ atualmente?
Prof. Azulay: Vou pra Santa Casa diariamente onde dou aulas e participo das sessões dermatológicas às sextas feira. À tarde vou ao meu consultório onde atendo meus pacientes.

Instituto Stiefel: O que te orgulha, e o que te aborrece em ser médico?
Prof. Azulay: Me orgulho de ter publicado em torno de 800 trabalhos e ter formado um grande número de dermatologistas, os quais, inclusive, fizeram uma associação chamada AEAPA (Associação dos Ex -Alunos do Prof. Azulay) e promovem excelentes congressos uma vez ao ano.
O que me aborrece? Acho que o trabalho médico é pouco valorizado atualmente.

Instituto Stiefel: Que leituras o senhor costuma fazer e que não são da área médica?
Prof. Azulay: Gosto de ler sobre religiões e outros assuntos técnicos.

Instituto Stiefel: Do que tem saudades?
Prof. Azulay: De quando era mais jovem onde tinha muita disposição pra produzir.

Instituto Stiefel: O senhor tem uma família de dermatologistas. Comente a escolha dos filhos pela dermatologia, e como foi o seu suporte à decisão deles. Qual o sentimento de ter familiares trilhando o seu caminho e dando continuidade ao seu trabalho?
Prof. Azulay: Procurei não interferir na decisão deles, fico muito orgulhoso de ter filhos, nora e recentemente um neto na dermatologia, dando continuidade ao meu trabalho com muito sucesso.

Instituto Stiefel: Que mensagem gostaria de deixar aos seus colegas de profissão?
Prof. Azulay: Que amem a dermatologia, pois com muito amor e dedicação com certeza serão grandes profissionais e contribuirão muito para a dermatologia!

Instituto Stiefel: Para finalizar a entrevista com bom humor, o senhor tem algum segredo, comentário, ou agradecimento a dizer?
Prof. Azulay: Realmente não tenho nenhum segredo e gostaria de agradecer meus ilustres professores: Parreiras Horta, Francisco Eduardo Rabelo e Hildebrando Portugal.

*Texto de Mariana Tasso. **Perguntas preparadas por Fernando Lima.



   
   
     

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